Anderson Mário fez uma reflexão profunda e sem filtros sobre os bastidores da indústria musical nacional, ao participar recentemente no J Cast. Longe de discursos confortáveis, o artista lançou um alerta direto: a obsessão pela imagem tornou-se o principal inimigo da carreira de muitos músicos.
Para Anderson Mário, a pressão constante para aparentar sucesso, luxo e status ultrapassou o valor do talento, da consistência artística e da gestão consciente dos rendimentos. Segundo ele, a imagem passou a ditar comportamentos, escolhas e até a sobrevivência de alguns artistas no meio.
“Esta indústria é muito boa, mas o demónio da nossa indústria é a imagem. O demónio do artista é só a imagem. É a realidade”, afirmou, sem rodeios.
O músico sublinhou que o verdadeiro problema não está no quanto se ganha, mas sim na forma como o dinheiro é utilizado. Deu como exemplo situações recorrentes em que artistas chegam a gastar milhões de kwanzas em poucos dias, movidos apenas pela necessidade de manter aparências e alimentar uma ilusão de sucesso permanente.
Para Anderson Mário, esta mentalidade compromete não só a estabilidade financeira, mas também a longevidade das carreiras, criando ciclos de pressão, desgaste e frustração. O artista defende uma mudança urgente de postura, com maior foco na educação financeira, na valorização do talento e na construção de percursos sólidos e sustentáveis.
A sua declaração reacendeu o debate nas redes sociais e no meio artístico, levantando questões importantes sobre identidade, autenticidade e o preço invisível da fama na música angolana.
Mais do que uma crítica, a mensagem de Anderson Mário surge como um alerta consciente para uma indústria que brilha por fora, mas que pode consumir quem não souber separar imagem de essência.






